O Brasil irá transportar alimentos entre as cidades bolivianas de Santa Cruz de La Sierra, a região mais baixa do país, até a capital La Paz. A ajuda humanitária ocorre em meio a protestos pela renúncia do presidente Rodrigo Paz.

A operação, ainda sem data prevista, é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com o Ministério da Defesa, que solicitará a aeronave à Força Aérea Brasileira (FAB).

O avião partirá de Brasília com alimentos destinados a minimizar os efeitos dos bloqueios de estradas que já duram mais de três semanas, provocando desabastecimento na capital boliviana.

Após descarregar os mantimentos, a aeronave transportará itens fornecidos pelas próprias autoridades ou por outras organizações do país.

Telefonema com Paz

Brasília (DF), 16/03/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lula e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nessa segunda-feira (25) com o líder boliviano, que solicitou a ajuda humanitária.

A Presidência da República informou que Lula reiterou, durante a ligação com Rodrigo Paz, “sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos”, além de destacar a importância do “respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito”.

“Nesse contexto, defendeu que governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social”, destacou o comunicado.

Entenda

A Bolívia enfrenta uma onda de protestos e bloqueios de estradas, que se transformaram em uma revolta popular envolvendo camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores sociais.

As decisões do novo presidente, que assumiu há apenas seis meses após quase 20 anos de governo da esquerda, têm provocado manifestações desde o início de seu mandato, em dezembro de 2025, especialmente após a retirada do subsídio à gasolina.

Os protestos aumentaram com a acusação de camponeses e indígenas de que o governo promovia leis fundiárias prejudiciais aos pequenos agricultores em favor de grandes empresários do agronegócio.

O governo alegou que a lei buscava fortalecer a agricultura em meio a uma grave crise econômica, mas, após pressão popular, decidiu revogá-la. Mesmo assim, os protestos continuaram.

Impasse

A repressão aos protestos resultou em mortos, feridos e prisões de diversos líderes.

O governo de Rodrigo Paz acusa os protestos de estarem associados a narcotraficantes, uma posição apoiada pelos Estados Unidos (EUA).

Os manifestantes, por sua vez, exigem a renúncia do presidente, que, segundo organizações campesinas e mineiras, perdeu a legitimidade para governar.

O ex-presidente Evo Morales, apontado como um dos instigadores dos protestos, sugeriu a convocação de novas eleições ou um compromisso do governo em não privatizar mais nada, em oposição às medidas “neoliberais” que tem implementado.

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Fonte: Agência Brasil