Leiliane Vitória Oliva Coelho e Andrey Gabriel Zancarli mantinham em celulares vídeos que mostram abusos sexuais contra criança. Filmagens tinham o objetivo de satisfazer fantasias deles, diz polícia.


Os episódios de abuso sexual contra uma menina de 3 anos em Ribeirão Preto (SP) foram desvendados pela Polícia Civil a partir da denúncia do amante da mãe. A mãe, Leiliane Vitória Oliva  Coelho, de 22 anos e o padrasto, Andrey Gabriel Eduardo Bento Zancarli, de 23, foram presos por suspeita de cometer os crimes.

A polícia informou que o casal mantinha nos celulares vídeos dos abusos sexuais cometidos contra a menina, com imagens de atos libidinosos.

- ESTUPRO VULNERÁVEL: é ter uma conjunção carnal ou praticar qualquer outro ato libidinoso (com o objetivo de satisfazer desejo sexual) com menores de 14 anos ou pessoas que não têm discernimento para consentir  o ato - como no caso de vítimas com deficiência intelectual ou que estejam bêbadas. O crime está previsto no artigo 217-A do Código Penal. 

Nesta semana, o presidente Lula sancionou lei que aumenta para até 40 anos a pena para este crime.

De acordo com o boletim de ocorrência, o amante informou à polícia que mantinha relacionamento com Leiliane há aproximadamente seis meses e convivia bem com os dois filhos dela, sendo a menina e um bebê de quatro meses.

Durante esse tempo, o homem que denunciou o casal contou que a menina apresentava comportamento retraído. Segundo ele, a criança acordava assustada e pedindo para "parar", situação que causava estranhamento.

Ele também contou à polícia que Andrey resistia em colocar a criança na creche, afirmando que ele mesmo cuidaria da criança.

Já na última terça-feira (9), como tinha acesso ao celular de Leiliane, o amante disse que identificou conversas dela com o companheiro contendo vídeos que mostravam molestando a filha, inclusive com referências à administração de substâncias para dopar a vítima.

Diante disso, o denunciante realizou capturas de tela nas conversas e apresentou todo o material para a Polícia Civil, que fez a prisão dos suspeitos na noite da última quarta-feira (10).

Ainda conforme a polícia, mãe e padrasto negam ter cometido estupro, admitiram que gravaram os vídeos encontrados nos celulares. Em entrevista à EPTV afiliada da TV Globo, eles também admitiram que erraram, mas não explicaram a que estavam se referindo.

A delegada Michela Ragazzi, da Delegacia de Defesa da  Mulher (DDM), afirmou que as filmagens tinham como objetivo de satisfazer as fantasias sexuais deles. 

O casal deve responder por estrupo de vulnerável, um crime que pela legislação brasileira não exige a ocorrência de conjunção carnal para ser configurado, além de divulgação de cenas de sexo e exploração infantil. 

Até a última atualização desta reportagem, a defesa deles não havia sido localizada.


MÃE E PADRASTO PRESOS

Os policiais foram até o endereço da família e prenderam Andrey, que estava com a menina e um bebê de quatro meses, filho do casal. Já a mulher foi presa no trabalho.

O casal foi encaminhado inicialmente à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto, mas depois o padrasto acabou sendo transferido à Cadeia de Santa Rosa de Viterbo (SP). A mãe por sua vez, segue em Ribeirão a espera de transferência para uma penitenciária da região.

Os dois tiveram prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça.

O Conselho Tutelar também foi acionado e deixou as crianças com outros familiares.

O QUE OS SUSPEITOS ALEGAM?

A delegada informou que mãe e padrasto gravavam vídeos com cenas sexuais envolvendo a criança. A prática, segundo os suspeitos alegaram em depoimento, era para satisfazer as fantasias deles.

"Eles disseram que essas trocas de mensagens contêm fantasia sexuais realizadas entre eles e que efetivamente eles não expunham a criança a nenhum ato libidinoso ou sexual. Porém, as imagens e as mensagens serão periciadas ", cita.

Na saída da DDM, Andrey admitiu que errou, mas negou que tenha cometido abusos sexuais. 

"Foi mais por causa que gostava muito da pessoa. Basicamente por isso. A gente não estuprou a criança, a gente acabou nem tocando nela. Não está tudo bem,  não acho que está tudo bem. Sei que foi um erro gigantesco, mas a única que posso deixar claro é que a gente não tocou na menina, não fez nada sexual com ela, nada do tipo." disse - Andrey Zancarli.


Leiliane, por sua vez também admitiu que errou e se disse arrependida. 

"Eu amo a minha filha, não sei o que deu em mim. Um vídeo estragou tudo. Uma coisa ruim que você faz anula toda as coisas boas. Eu mereço tudo o que vier, o que me acontecer, mereço tudo." - disse Leiliane Coelho.



 




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