Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Dep. Airton Faleiro (PT-PA) anunciou que deve ser instalada nos próximos dias a Frente Parlamentar do Futebol Amador.
A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados promoveu, na tarde de quarta-feira (13/5), Audiência Pública para discutir a valorização do futebol amador por meio das ligas municipais. Proposto pelo deputado Airton Faleiro (PT-PA), o encontro reuniu dirigentes de clubes, ligas e associações estaduais, além de representante do Ministério do Esporte. O principal objetivo foi identificar caminhos concretos para que o poder público possa apoiar de forma mais eficiente essa que é a base do esporte mais popular do país.
Para o deputado Airton Faleiro, que conduziu os trabalhos, o futebol amador ainda é invisível aos olhos de muitos gestores e parlamentares, mas sua dimensão é gigantesca. “Se pegarmos só o que temos organizado em ligas, são cerca de 2 mil municípios e mais de 20 mil clubes. E ainda há os municípios que não têm liga. O esporte amador é uma força viva de organização da sociedade”, afirmou. Ele anunciou que instalará em breve a Frente Parlamentar do Futebol Amador, que já conta com 204 assinaturas, e revelou seu objetivo pessoal: realizar o primeiro campeonato nacional amador feminino e masculino. “Não tem nada que vai projetar mais a nossa pauta do que isso”, disse.
Lúcio Flávio Vale, secretário geral da Liga Nacional de Futebol Amador (LINFA), apresentou um diagnóstico detalhado da situação. Ele lembrou que o futebol amador está presente em praticamente todos os municípios, aldeias indígenas e assentamentos do país. “O futebol profissional não comporta todo este público que o futebol amador abarca e abraça”, afirmou. Entre as ações que a LINFA já está planejando, ele destacou a realização de um censo nacional para mapear ligas e times, a oferta gratuita de estatutos para regularização, a realização de seminários em todos os estados e a criação de um programa televisivo semanal na EBC (Empresa Brasil de Comunicação) dedicado ao futebol amador. “Tudo isso já está sendo discutido com fundações e universidades”, garantiu.
José Luiz Ferrarezi, representante das associações estaduais de ligas municipais e ex-secretário de Esportes de São Bernardo do Campo (SP), trouxe uma reflexão sobre o papel do futebol na transformação dos territórios. “Um campo de futebol no território tem capacidade de transformar aquele bairro. Quando colocamos grama sintética e iluminação, não mudamos só o futebol, mudamos a característica do bairro”, disse. Ele defendeu que o poder público invista em infraestrutura e que as ligas, devidamente organizadas, possam receber recursos via convênios, termos de fomento e emendas parlamentares. “Não há entraves legais. O que existe é a necessidade de organização e de vontade política”, resumiu.
A importância da organização foi um dos temas mais repetidos ao longo do debate. Sandiclei Bezerra do Monte, representante dos clubes amadores filiados às ligas, natural de Santarém (PA), fez um apelo direto aos dirigentes que estão na ponta. “Muitos reclamam que o poder público não ajuda, mas talvez a culpa seja nossa, que não nos organizamos, não fazemos projeto, não buscamos quem lute por ele”, refletiu. Ele contou a experiência de um projeto social atendido por emenda parlamentar do deputado Airton Faleiro, que beneficiou 25 municípios do Pará com 1.750 crianças. “Isso acendeu uma esperança de dizer: sim, o governo pode ajudar as comunidades”, afirmou.
Weslei Nunes, representante das associações estaduais, reforçou o coro da organização e propôs uma mudança de nomenclatura. “Nós vamos deixar de tratar como futebol amador para tratar como futebol social, porque o trabalho que essa ferramenta traz para a sociedade é que transforma vidas”, disse. Ele pediu que o Parlamento olhe com mais atenção para os municípios menores, onde muitas vezes uma única liga ou projeto social é a única oportunidade de uma criança ter acesso ao esporte e à cidadania. “Se não criarmos condições para chegar lá, não estaremos cumprindo nossa missão”, concluiu.
Pelo Ministério do Esporte, Mariana Ferreira Cassiano de Abreu, coordenadora-geral de formalização de parcerias, explicou os mecanismos já existentes. Ela citou a Portaria nº 16, que estabelece procedimentos para execução de emendas parlamentares voltadas ao esporte amador, por meio de convênios com organizações da sociedade civil e municípios. “Nós viabilizamos a aquisição de estrutura e materiais esportivos. O ministério se coloca à disposição para discutir e construir esses projetos”, afirmou.
Três perguntas enviadas pelo cidadão Rodrigo Pinheiro dos Santos nortearam os debates: quais políticas públicas concretas podem ser implementadas pelos municípios? Como viabilizar investimentos sem ferir as normas? E quais os entraves legais para o investimento direto no futebol amador? As respostas foram consensuais. Não há entraves legais específicos; o desafio está na burocracia e na falta de informação. Ferrarezi sugeriu que estados e municípios garantam infraestrutura de qualidade e que as emendas parlamentares podem sim ser destinadas diretamente a ligas organizadas. “Na hora que chegam as eleições, vocês são lembrados. Vamos continuar visíveis em todo o processo”, provocou.
O deputado Alexandre Lindenmeyer (PT-RS), que presidiu os trabalhos por alguns minutos, compartilhou sua experiência como ex-presidente do Esporte Clube Rio Grande, o clube de futebol mais antigo do Brasil, e sugeriu a criação de mecanismos de financiamento inspirados no programa “Jogo Aberto” que existiu no Rio Grande do Sul. Ele lembrou que o futebol amador é “espaço de formação, de coletividade, de comunidade” e merece atenção especial do poder público.
No encerramento, o deputado Airton Faleiro fez questão de dar três recados claros. O primeiro sobre orçamento: “Orçamento no município, no estado, no governo federal. Essa é a palavra de ordem.” O segundo sobre organização: “Quem estiver mais organizado vai levar vantagem.” E o terceiro, um conselho inspirado no próprio pai: “Não podemos só delegar a política para os outros. Quem é apaixonado por esporte amador tem que ocupar os espaços políticos, no Parlamento e no Executivo.”
A audiência terminou com o compromisso de novos encontros e com a
criação da Frente Parlamentar do Futebol Amador, que será instalada nos
próximos dias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), convidada,
justificou sua ausência, o que foi lamentado por alguns participantes. A
avaliação geral, porém, foi positiva: o diálogo entre as ligas e o
poder público deu um passo importante, e a pauta ganhou ainda mais
visibilidade na Câmara dos Deputados.
Assessoria de Comunicação/Cespo
Texto elaborado com auxílio de IA