O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) foi cadastrado como "usuário Master" de uma conta bancária pertencente a uma empresa do advogado Willer Tomaz investigado pela Polícia Federal (PF), por suspeita de lavagem de dinheiro.
Para a PF o cadastro dava ao Flávio "acesso operacional relevante" à conta bancária e "sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa."
Flávio e Willer Tomaz são amigos mas negam ter negócios juntos. A PF descobriu indícios de que eles dividiram a conta bancária da empresa Alcazar Holdings de propriedade de Tomaz, ao encontrar e-mails trocados entre uma secretária do advogado e uma funcionária do banco Santander.
O caso foi revelado no sábado no dia 10 de outubro pela OUL e detalhado nesta quarta feira hoje no dia 14 de outubro pela colunista Malu Gaspar do jornal "O Globo." O G1 também obteve as informações sobre a investigação policial.
A apuração começou no Rio Grande do Sul onde a PF que investigava supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Um dos alvos do inquérito no estado era a casa de apostas Blaze. Com autorização judicial e o sigilo telemático de Willer Tomaz foi quebrado.
Essa investigação subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF) para ser distribuída a um dos ministros da corte, porque o nome de Flávio Bolsonaro apareceu em e-mails obtidos com a quebra de sigilo. Como senador, Flávio tem um foro especial especial do STF.
Em outro processo, paralelo a essa investigação criminal Willer Tomaz processa a Blaze. Ele pede ressarcimento pelo prejuízo de R$ 188,5 milhões que afirma ter tido ao jogar na casa de apostas, Tomaz diz nesse processo que tramita na Justiça de São Paulo, que foi diagnosticado com ludopatia - um transtorno mental caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar.
'Usuário Master'
Os e-mails obtidos pela PF mostram que uma secretária de Tomaz, Fayla Menezes escreveu para a agência bancária em 22 de maio de 2025, pedindo para trocar o "usuário master" da conta da empresa Alcazar Holdings.
"Na oportunidade peço por gentileza no gerenciador do usuário master desassociar as contas abaixo," escreveu a secretária, listando em seguida em número e o nome de Flávio Bolsonaro e uma outra conta de Willer Tomaz.
Pouco depois o banco respondeu por e-mail: "As contas foram excluídas do contrato, conforme solicitado."
A PF afirmou o relatório conforme noticiado pelo jornal "O Globo" que "na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holdings, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurativa com perfil de usuário master, condição que em princípio lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento."
Avião de Tomaz e Vorcaro
A empresa Alcazar Holdings é dona de uma das três cotas do jatinho usado por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em uma viagem de Fort Lauderdale na Flórida (EUA) para o Brasil em janeiro de 2025.
O avião um Legacy 650 prefixo PP-NLR tinha três donos na época do voo: Tomaz por meio da empresa Alcazar Holdings; Laerte Cosetino o dono de Totvs; e o banqueiro Daniel Vorcaro do dono do Banco Master, por meio da empresa Prime You - que também administrava o uso da aeronave de propriedade compartilhada.
No mês passado quando a revista "piauí" revelou que Flávio havia voado no avião de Vorcaro o candidato afirmou que a viagem foi a convite de Willer Tomaz e não do banqueiro.
O Que Dizem os Citados
Ao "Globo", Flávio Bolsonaro afirmou que "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas."
"Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa, o próprio e-mail apresentado comprova justamente que a vinculação era indevida, tanto que solicita a desvinculação. Ou seja, o pedido só reforça que qualquer possibilidade de associação existente estava errada e precisava ser corrigida," disse o candidato.
"Essas insinuações surgem em pleno período eleitoral e exigem responsabilidade. A divulgação de Fake News é crime eleitoral e os responsáveis deverão responder na forma da lei," completou.
O advogado Willer Tomaz também em nota afirmou que "repudia as inverdades reiteradas na reportagem."
"Com o senador Flávio Bolsonaro mantém apenas amizade sem nenhum vínculo financeiro ou societário. Os dois nunca dividiram conta bancária. O e-mail enviado ao Santander não demonstra o contrário. Extrair desse documento uma 'eventual participação econômica ou societária' é ilação," disse.
"Converter conjecturas em denúncias em plena campanha eleitoral tem o evidente propósito de interferir no pleito. A exposição de dados sigilosos de seu celular e iCloud integra o vazamento criminoso já investigado pela Polícia Federal e os autores responderão na Justiça," concluiu.
FONTE: G1 GLOBO - POLÍTICA.
RE-EDITADO: JÚLIA BAESA
