O Senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantou a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma caminhada ao lado do Governador e candidato reeleição de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta segunda - feira (28), no Centro da capital paulista.
A imagem da padroeira do Brasil foi entregue ao Flávio que participava do ato e em seguida, o senador e o Tarcísio ergueram juntos a imagem diante dos apoiadores.
Uma mulher que estava de azul ao lado direito do Flávio diz com um sotaque espanhol: "por favor, que toda a imprensa grave", o Flávio e Tarcísio fazem um gesto em sequência.
No mesmo ato Flávio Bolsonaro voltou a argumentar sobre a polêmica: "Eu estava esperando uma nota da CNBB e então saiu hoje. Foi muito boa a nota dela, esclarecedora, porque confirma que essa questão da Nossa Senhora Parecida deixar de ser a padroeira do nosso Brasil é uma grande mentira e é a maior fake news desta campanha," afirmou.
A CNBB porém divulgou uma nota depois de ser acusada pelo próprio Flávio de ter integrantes envolvidos em uma disseminação de uma informação falsa.
No domingo do dia 27 de setembro o candidato afirmou que sem apresentar provas, o PT havia conseguido 'espalhar' um fake news: "com a ajuda de alguém de dentro" da entidade. A conferência negou da participação e então afirmou que: "a mentira não se bate com outra mentira."
Nesta segunda - feira dia 28 de setembro, Flávio agradeceu à entidade e voltou a atribuir ao PT a tal disseminação de conteúdo.
As declarações ocorreram no meio de uma polêmica envolvendo umas publicações nas redes sociais que atribuiu que o candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro e aos outros políticos de direita a intenção de retirar de que a Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Não atualmente no Congresso o projeto com esse objetivo de que nenhuma mobilização organizada pelos evangélicos para retirar o tal título.
A controvérsia chegou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) que provocou mais um embate contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
N o domingo dia 27 de setembro durante da agenda da campanha Flávio afirmou que o PT criou uma 'fake news' sobre a Nossa Senhora Aparecida: "com a ajuda de gente do dentro", da CNBB. O candidato não apresentou as provas da participação dos integrantes da tal entidade.
A CNBB rebateu a tal acusação e afirmou que não produziu, autorizou ou participou da tal elaboração ou da divulgação das informações falsas relacionadas nas eleições.
"Atribuir à CNBB participação das estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem os fatos e as provas que sustentam a tal afirmação, atinge injustamente na instituição e não contribui para serenidade e a responsabilidade com que devem caracterizar com o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira," afirmou a entidade.
Entenda a polêmica
No dia 24 de setembro, quinta - feira. Durante o programa 'Em Pauta' da Globonews a jornalista, Maria Cristina Fernandes relatou haver um movimento na Igreja Católica da reação a uma parcela de uns evangélicos que estaria mobilizando um projeto para retirar a Nossa Senhora Aparecida o tal título de Padroeira do Brasil.
A Globonews posteriormente corrigiu a tal informação e esclareceu que não existe nenhum projeto atualmente com esse conteúdo no Congresso e nenhuma mobilização organizada e feita pelos evangélicos neste sentido.
Uma proposta do tal tema chegou a ser apresentada no ano de 2007, mas foi arquivada no ano de 2008. O projeto de autoria do então deputado Professor Victorio Galli que pretendia substituir a expressão: 'Padroeira do Brasil', por: 'Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.'
Nos últimos dias ganharam uma força nas redes sociais alinhadas à esquerda com publicações que associavam Bolsonaro e os políticos de direita a uma intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
Flávio negou totalmente qualquer existência de proposta neste sentido.
No dia 25 de setembro, sexta - feira o ministro André Mendonça o vice-presidente do TSE, determinou liminarmente a remoção das publicações relacionadas ao episódio entre elas um post do humorista Antônio Tabet.
No domingo porém o ministro Flávio Dino do STF suspendeu os efeitos da decisão de Mendonça e permitiu que a publicação de Tabet fosse restabelecida, Dino argumentou que entre outros pontos que o post não citava nominalmente o Flávio Bolsonaro e destacou a proteção constitucional da liberdade de expressão.
Neste dia 28 de setembro, segunda - feira a defesa do Flávio Bolsonaro recorreu ao STF contra a decisão do ministro e pediu que o entendimento de Mendonça volte a produzir os efeitos enquanto o caso será analisado.
Após o recurso o ministro Flávio Dino enviou a sua decisão para o referendo do plenário do Supremo.
Boato semelhante que circulou no ano de 2018
Uma história bem semelhante já havia circulado durante as eleições de 2018 quando Jair Bolsonaro disputava pela primeira vez a Presidência.
Naquele ano o Fato ou Fake mostrou ser falsa uma publicação que segundo a qual Jair Bolsonaro e o seu filho Eduardo Bolsonaro teriam assinado um projeto no ano de 2007 que pretendia altera o título da Nossa Senhora Aparecida.
A proposta havia sido apresentada pelo deputado Professor Victorio Galli que acabou sendo arquivada no ano seguinte, em 2008.
- Com supervisão de Alexandre Bazzan.
Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Diante das informações e as manifestações que circularam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esclarecemos:
A Conferência não produziu, autorizou ou participou das elaborações ou das divulgações de informações falsas relacionadas a atual processo eleitoral.
A CNBB repudia a cada produção e a utilização de informações falsas ou independentemente de sua origem ou de quem possa beneficiar ou prejudicar.
A CNBB não se integra a qualquer estrutura do político-partidária, de partido ou de uma candidatura. As suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral, e dos princípios públicos expressos em seus documentos e orientados pela dignidade humana pelo bem- comum, pela democracia e pela liberdade da consciência.
Atribuir a CNBB da participação de tal estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem os fatos ou as provas de que sustentem a tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que deveriam caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.
A CNBB reafirma o seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.
FONTE: G1 GLOBO - ELEIÇÕES
RE-EDITADO POR: JÚLIA BAESA.
